sábado, 4 de novembro de 2017

JULIO REZENDE É O PRIMEIRO BRASILEIRO A COMANDAR UMA MISSÃO NA ESTAÇÃO DE PESQUISA SOBRE MARTE, A MDRS

A partir de hoje (4) até 19 de novembro de 2017 serei o primeiro brasileiro a comandar uma estação de pesquisa sobre Marte, no deserto de Utah (Estados Unidos).
Em minha pesquisa apresentarei como o conhecimento da administração pode ser importante para a operação e sustentabilidade de uma missão em Marte e ambientes análogos, como é o Mars Desert Research Station (MDRS).
Além do gerenciamento da equipe de pesquisadores que ficarão imersos na estação durante essas duas semanas (4-19 de novembro de 2017), serão gerenciadas atividades importantes para a sustentabilidade da estação.
A minha atuação na área de tecnologias limpas e o interesse na área espacial tem  despertado o interesse de jornais como a Folha de São Paulo (http://mensageirosideral.blogfolha.uol.com.br/2017/09/11/astronomia-vida-de-marciano/). Pretendo lançar um livro em janeiro/2018 narrando o comando da missão nos Estados Unidos evidenciando aprendizados e aplicação de ferramentas da administração, como a gestão de processos, projetos, inovação e sustentabilidade.

O custeio da missão no Mars Desert Research Station (MDRS) em Hanksville (Utah) será realizado com recursos próprios do pesquisador. Quanto à importância estratégica, debates recentes têm observado como pesquisas desenvolvidas com o propósito de imaginar habitats em Marte poderiam ser replicadas para a criação de soluções que sejam operacionalizadas em regiões áridas e semiáridas.
Verifica-se a temática de diálogo das tecnologias aeroespaciais com o desenvolvimento humano como de grande relevância estratégica para a vida humana. Quem imaginaria que a exploração espacial poderia ajudar a prever furacões e secas e sobre como essas informações poderiam evitar a morte de muitas pessoas?
Noto também uma interface da pesquisa espacial com os Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) propostos pela Nações Unidas em 2015 para ser implementado no período de 2016 a 2030. Trata-se de também de um modo de se fazer perceber da importância dos investimentos estratégicos em ciência, tecnologia e inovação por parte dos países, via políticas públicas.
Os referidos debates têm sido empreendidos por organizações como a United Nations Office for Outer Space Affairs (UNOOSA), agência da ONU, e por governos nacionais, como através da organização German Federal Ministry for Economic Affairs and Energy (BMWi) no encontro United Nations/Germany International Conference on International Cooperation Towards Low-Emission and Resilient Societies que acontece em Bonn no período de 22 a 24 de novembro de 2017. Mais informações sobre o referido evento podem ser encontradas em: http://www.un-spider.org/news-and-events/events/united-nationsgermany-international-conference-international-cooperation.
A temática tem sido reiteradamente debatida recentemente, conforme pode ser observado em evento ocorrido em 2016 em Teerã de 5 a 9 de novembro, durante a  United Nations/Islamic Republic of Iran Workshop on the Use of Space Technology for Dust Storm and Drought Monitoring in the Middle East Region. O evento foi organizado pela United Nations Office for Outer Space Affairs
e o governo do Irã. Isso mostra que a temática tem sido observada como estratégica por alguns governos nacionais que procuram perceber quais medidas mitigadoras podem ser desenvolvidas para o enfrentamento de possíveis ameaças à segurança humana advindas de ameaças climáticas, com destaque à seca e a escassez hídrica.
Tais debates são também de profunda interface com instituições de geração de conhecimento, de modo especial as instituições de ensino e pesquisa que são desafiadas a pensar soluções em sustentabilidade ambiental, social e econômica.
Nota-se que a temática é também do interesse de empreendedores que observem nas temáticas em questão oportunidades de criação de empresas inovadoras que atuem nesse segmento gerando empregos, riqueza e progresso. O tema aeroespacial é fundamental no despertar de jovens empreendedores saídos das universidades que se inspirem a desenvolver vocações tecnológicas e empreendedoras.
Desse modo, as temáticas relacionadas ao desenvolvimento dos habitats humanos colaboram na estruturação do que é compreendido como Sistemas Locais de Inovação nos quais se consiga interconectar governos, universidades e empresas, arranjo esse compreendido como Hélice Tripla.
Habitats humanos, em especial habitats análogos à Marte, tratam-se de um esforço de conscientizar que muitas tecnologias e pesquisas aeroespaciais possuem um impacto prático no cotidiano e no contexto do enfrentamento de questões como Mudança Climática e seus impactos no asseveramento da desertificação, escassez hídrica, secas severas e vulnerabilidade alimentar e humana.
Nesse sentido, considera-se que pesquisas sobre o desenvolvimento de habitats análogos à Marte apresentam-se como emergentes e projeta-se que seja estratégico a muitos países realizarem investimento nessa área, com um intuito de desenvolvimento de expertises quanto a habitats adaptáveis a regiões de forte vulnerabilidade climática e ambiental.
            Esta pesquisa versa sobre a experiência do Habitat Marte, iniciativa desenvolvida no semiárido no Nordeste Brasileiro, na zona rural da cidade de Caiçara do Rio do Vento no estado do Rio Grande do Norte. A referida iniciativa apresenta elementos de empreendedorismo, criatividade e sustentabilidade em seu processo de criação e concepção, aspectos esses que motivam que a experiência seja estudada e compartilhada de modo a apresentar a outros países que habitats análogos à Marte necessitam ser fomentados. Mais informações sobre a estação de pesquisa podem ser obtidas em: www.HabitatMarte.Blogspot.com.

O espaço convida-nos à imaginação e ao interesse pela ciência e a tecnologia, no sentido de refletirmos sobre soluções que colaborem na nossa expansão de consciência, no sentido de encontrarmos nossa identidade, que em essência é cósmica.
É a capacidade de nos percebermos infinitos que nos impulsiona e nos encoraja a dar um próximo passo na fronteira do desconhecido e da inovação, no sentido de construirmos um mundo novo.
Para mim o espaço anda muito junto com a música, com trilhas sonoras de filmes maravilhosos como Star Wars, ET, Indiana Jones, entre outros que ajudam a ilustrar a vida como uma epopeia, um caminho cheio de aventuras, perigos, desafios e vitórias, aspecto último esse que será encontrado se tivermos auto-confiança.
Sou grato à influência do Iron Maiden, Death, entre tantas outras bandas,  e a música em sua plenitude e beleza, que influenciaram minha criatividade de modo irreversível.

Prof. Julio Francisco Dantas de Rezende
UFRN

84 99981-8160

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